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Toda máscara é eficaz contra covid-19?

Publicado: Terça, 29 de Setembro de 2020, 22h26 | Última atualização em Quarta, 30 de Setembro de 2020, 20h48 | Acessos: 694

Número de camadas, medidas e tipo de tecidos devem ser avaliados

De uso obrigatório em locais públicos, as máscaras de tecido reduzem a transmissão e a contaminação pelo novo coronavírus.
imagem sem descrição.

Por Adrielly Araújo Fotos Alexandre de Moraes

Desde a descoberta do vírus SARS-CoV-2, várias formas de prevenção da Covid-19 têm sido propagadas. Lavagem frequente das mãos com água e sabão, higienização com álcool em gel, distanciamento social e o uso de máscaras que cubram o nariz e a boca estão entre as principais maneiras de se proteger da nova doença.

Publicações científicas recentes apontam que grande parte dos infectados pela Covid-19 é assintomática ou pré-sintomática, mas isso não significa menor risco de contaminação. Dessa forma, a demanda por máscaras cirúrgicas cresceu, deixando o produto escasso e caro. A população passou, então, a necessitar de alternativas de fácil acesso e de menor custo, como as máscaras de tecido.

Assim, a avaliação da eficácia desse produto tornou-se uma questão fundamental, inspirando um grupo de pesquisadores liderado pelo Programa de Pós-Graduação em Odontologia (PPGO/ICS): David Normando, Milena Santos, Darlyane Torres e Paula Cardoso.

Em parceria com pesquisadores do Hospital Barros Barreto (Rita Medeiros), University of Alberta-Canadá (Carlos Fores-Mir) e University of Bern-Suiça (Nikolaos Pandis), o grupo realizou uma revisão sistemática para avaliar se as máscaras de tecido poderiam substituir as máscaras convencionais na redução da transmissão e contaminação por gotículas e aerossóis (tosse, espirro e fala).

Para a realização do estudo, os pesquisadores seguiram um protocolo criterioso, baseado na busca sistematizada de todos os artigos relevantes sobre o tema, para evitar que os resultados encontrados fossem tendenciosos. Inicialmente, foram analisados 2.047 registros.

“Seguindo esse protocolo, foram selecionados onze estudos primários, que buscavam responder à pergunta-chave do estudo”, afirma David Normando. Esses estudos compararam, em laboratório ou em ambiente clínico, a eficácia das máscaras de tecido com a das máscaras médicas. Em seguida, foi realizada a extração dos dados importantes de cada um desses estudos para se chegar a um resultado e a uma conclusão.

“Além de avaliar a eficiência das máscaras de tecido, é importante conhecer quais os melhores materiais e a quantidade de camadas adequada para a confecção deste equipamento de proteção, de forma a oferecer melhor resultado na contenção da disseminação do novo coronavírus”, explica David Normando. Durante o estudo, foram avaliadas a capacidade de anticontaminação e de antitransmissão e/ou a respirabilidade de tipos diferentes de máscaras, confeccionadas com tecidos variados e com determinado número de camadas.

N95 é a mais indicada para profissionais da saúde

Foi observado que, no geral, as máscaras feitas em tecido não apresentam a mesma capacidade de proteção das máscaras médicas, principalmente quando comparadas aos respiradores N95, equipamento de proteção individual mais indicado para trabalhadores expostos a ambientes contaminados por aerossóis.

Porém algumas das opções analisadas apresentaram eficiência na redução da quantidade de gotículas e partículas contaminadas que seriam expelidas ou inspiradas pelo usuário, tornando-se, assim, uma opção de proteção para o público em geral.

Entre as máscaras de pano, as que obtiveram melhores resultados foram as de tecido híbrido, com múltiplas camadas. Um dos estudos analisados apontou eficiência superior a 90% de filtração para as máscaras de tecidos híbridos com a associação do algodão com outros tecidos, como chifon, flanela e seda, sendo esta a melhor entre as opções estudadas.
Outros tecidos também se mostraram viáveis, como o algodão 100% e a sarja. Mas, de acordo com o estudo, o ideal é que toda máscara de tecido possua duas ou três camadas.

“Acreditamos que, com esses resultados, chegamos a uma informação mais precisa sobre quais os melhores tecidos e a quantidade ideal de camadas para uma máscara caseira produzir bons resultados. Esse conhecimento deve ser difundido, dando a oportunidade de toda a população ter uma máscara caseira eficiente”, afirma David Normando.

Outro aspecto destacado no estudo foi que a máscara deve estar perfeitamente adaptada ao rosto, pois a presença de espaços pode resultar em diminuição, em até 60%, do seu poder de proteção. Por fim, a revisão sistemática produzida pela UFPA constatou que, para profissionais da saúde e trabalhadores de ambiente hospitalar, o uso da máscara de tecido não é recomendado. Para esses profissionais, é essencial o uso de máscaras cirúrgicas e/ou respiradores N95.

O Ministério da Saúde ainda determina que as máscaras caseiras devem ser trocadas a cada duas horas de uso ou assim que estiverem úmidas. Além disso, é necessário higienizar as mãos ao colocar e ao tirar a máscara para evitar contaminação.

“Ante a pandemia, podemos concluir que qualquer proteção facial é melhor que nenhuma, pois, além de proteger o usuário, também minimiza a superlotação de hospitais e o colapso do sistema de saúde”, conclui o professor. O artigo desenvolvido foi aceito para publicação pela Sociedade Brasileira de Pesquisa Odontológica (SBPqO).

 

Ed.156 - Set/Out/Nov de 2020

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