Histórico
O Processo de Interiorização                                                                                                

A interiorização das ações universitárias teve início em 1971, sob o modelo renovado das ações extensionistas dos Centros Rurais Universitários de Treinamento e Ações Comunitárias (CRUTACs), do final da década de 60, e teve como ações iniciais a realização de cursos especiais de Licenciatura curta nas áreas: Letras, Estudos Sociais e Ciências Naturais, destinados à “preparação de docentes de 1º e 2º graus” e de Cursos de Licenciatura plena para a formação de administradores e supervisores escolares.

A segunda fase toma forma quinze anos depois, com o I Projeto de Interiorização da UFPA, regulamentado pela Resolução Nº 1.355, quando foram eleitos oito campi para o trabalho. As prefeituras locais se uniram ao projeto, doando prédios para a instalação da sede do campus, cedendo servidores para o apoio administrativo, vigilantes e motoristas. No mesmo período, em maio de 1986, representantes das universidades amazônicas elaboraram o I Projeto Norte de Interiorização, que incorporou objetivos, metas e estratégias já delineadas pela UFPA.

Vieram o segundo e o terceiro projeto, e a negativa do Ministério da Educação em atender as demandas de ampliação do quadro de professores e técnico-administrativos e do montante de recursos para diárias, custeios e capital. Apesar das adversidades, é de se reconhecer que, no período de 1995 a 2001, quase todos os grandes programas previstos no III PNI foram implantados, como os programas Agropecuário, de Educação Ambiental, Sistemas Estuarinos e Costeiros e de Educação Continuada, além da expansão do programa de licenciaturas e de bacharelados e das articulações acadêmicas para a criação  do programa minero-metalúrgico.

O Plano de Desenvolvimento da UFPA 2001-2010 traz como um de seus sete eixos estruturantes, norteadores da gestão universitária, a Universidade Multicampi. E, em 2004, o Conselho Superior de Ensino e Pesquisa (Cosnep) aprova a Resolução Nº 3.211 , com pressupostos e diretrizes do novo modelo, pactuados pela comunidade acadêmica.

Construção de uma Universidade Multicampi

Promover o acesso ao ensino superior no segundo maior Estado brasileiro tem sido um dos grandes desafios assumidos pela UFPA, formalmente há 21 anos, quando o então reitor José Seixas Lourenço aprovou o Programa de Interiorização da universidade, com a Resolução Nº 1.355. As primeiras turmas foram constituídas no ano seguinte, em 1987. O cenário de dificuldades para a consolidação da agora chamada Universidade Multicampi ganha novos contornos ao longo do tempo, mas os avanços da instituição são inegáveis e deixam boa margem de contribuição para o desenvolvimento de um dos estados mais estratégicos para a região amazônica.

O Pará conta com apenas três universidades públicas em seu território: além da UFPA , a Universidade Estadual do Pará (UEPA) e a Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra).

Antes de o ensino superior ser levado pela instituição a quase todos os 143 municípios do Estado de forma politicamente planejada, apenas 150 dos 25 mil professores da rede pública tinham habilitação para o magistério. Mudar esse panorama foi um dos principais objetivos dos cursos oferecidos pela UFPA, a partir de 1986 , em oito municípios sede , localizados em cada uma das seis mesorregiões do Estado: no Baixo Amazonas, Santarém; no Marajó, Soure (e posteriormente Breves); na Metropolitana de Belém, Castanhal; no Sudoeste do Pará, Altamira; no Nordeste, Abaetetuba, Bragança e Cametá; e no Sudeste, Marabá.

Eles funcionavam, inicialmente, como pólos para atender também a população de cidades vizinhas e de difícil acesso. Em 1993, já havia dois mil licenciados plenos no Estado e que passaram a atuar não apenas em sala de aula, como professores, mas também na gestão das escolas, na função de diretores , e das políticas educacionais , no papel de secretários de educação.Na década de 90 , o programa de interiorização foi redimensionado, a partir de um projeto integrado de ensino, pesquisa e extensão, para que os cursos passassem a contribuir mais com o desenvolvimento social de cada região paraense. Foi preciso definir vocações econômicas locais e fazer investimentos estratégicos em áreas que valorizassem esses perfis.

Em Altamira, fomentaram-se mais fortemente as Ciências Agrárias, atendendo à demanda da economia agropecuária no sudoeste paraense; em Castanhal, ganhou força a Medicina Veterinária, em atenção à forte atividade pecuária; em Santarém, cursos que valorizassem o estudo da rica biodiversidade do Baixo Amazonas, como as Ciências Biológicas, a Física Ambiental, mas também Direito, Sistema de Informações e Processamento de Dados; em Marabá, as engenharias de Materiais e de Minas e Meio Ambiente, além de Geologia e Ciências Agrárias, acompanhando as atividades agropecuárias e especialmente minerarias no sudeste do Estado; em Soure, o Turismo, na tentativa de qualificar a atividade desenvolvida tradicionalmente de forma espontânea no arquipélago do Marajó; em Bragança, as Ciências Biológicas, principalmente, e a Engenharia de Pesca, mais recentemente, privilegiando estudos sobre o vasto ecossistema dos manguezais na região e economia da pesca.